A esquerda reformista tem todo o direito de atuar nas frentes parlamentaristas, em defesa do estado de direito, claro. Mas cair na armadilha de tentar embarcar no projeto defendido pela direita financista ou liberal confunde a população que já não saberá mais em quem deve confiar.

Minneapolis e o Black Lives Matter

Esta semana que findou viu o mundo reagir, espontaneamente, contra os abusos levada a cabo por uma política global higienista, de branqueamento e descaradamente apologética do neonazismo referendada pelo neoliberalismo. No Brasil estes absurdos são azeitados por uma campanha pública de submissão aos pseudos neorromanos norte-americanos pelos ditos patriotas – assim denominados por alguns de seus membros… Os gados aloprados diriam outros.

Nos E.E.U.U vimos Minneapolis pegar e botar fogo por todo o território americano, com corajosos protestos, em resposta ao cruel assassinato em vias pública do negro George Floyd por um policial branco que ajoelha em seu pescoço salvaguardado por, pelo menos, mais três comparsas de farda. O mundo assistiu a execução pelas redes quase ao vivo.

A desculpa do Estado teria sido uma nota de US$ 20 (vinte dólares) falsificada que Floyd teria, segundo os agentes, tentado passar no comércio. Não há oficialmente qualquer relato do comerciante; este sequer apareceu. Pelo menos até agora para corroborar a afirmativa da polícia. George, o “criminoso”, foi sentenciado publicamente. Sobra a versão da polícia.

Três dias depois a cidade inflamada em decorrência de protestos multirraciais levados adiante pelo “Black Lives Matter”.

Alguém já disse que “é perigoso ser negro na América”, creio que MalconX… Vai além. É perigoso ser negro em todo o mundo me parece. Na África ou nas Américas latinas, tanto faz.

Aqui, como lá, principalmente nos dias atuais, a legitimação de um Estado estruturalmente racista, eugenista coloca, declaradamente, um alvo na testa e nas costas dos negros… dos índios. Lá foi George Floyd. Aqui, mais recentemente, João Vitor.

Recua, recua! O poder popular está nas ruas!”

Já em terras tupiniquins vimos passeatas populares fantásticas e espontâneas desencadeadas em Porto Alegre e na paulista (Grande São Paulo). Esta última chamada pela Gaviões da Fiel em conjunto com outras organizadas para contrapor o avanço descarado dos tais patriotas neonazistas.

Não apenas contrapor mas, em muitos casos, colocando os “arianos” para correr.

Um dos maiores símbolos deste enfrentamento se dá no momento em que um cidadão peita os neonazistas.

Recua, recua. O Poder popular está nas ruas!

Há que se abrir um parêntese aqui. Já há uma pilha de “bons moços”, ligados ao NOVO, RenovaBR – além do tal gado aloprado – criminalizando e tentando desconstruir a iniciativa das organizadas. Tentando esvaziar desta forma, a legitimidade e o direito da livre manifestação de organizações civis independentes. Neste balaio corre-se o risco de tentar deslegitimar, inclusive, a histórica defesa corintiana pela democracia.

Em ambos os casos jornalistas independentes flagraram e denunciaram a tomada de posição das corporações policiais em defesa dos fascistas, ou neonazistas declarados. O Estado tem um lado. Declarado.

As ações ANTIFA são fantásticas por ser uma reação a um projeto antivida, anti Brasil, anti Negro, anti Índio, anti Mulheres… e anti todos os desprovidos e marginalizados.

E por ser um movimento espontaneísta não dá para saber para onde vai. Fato é que quando o rastilho de pólvora se alastrar e o paiol pegar fogo a direita saberá como agir. Sempre soube. Já a esquerda…!!

Bem a esquerda continua perdida desde as famosas jornadas de junho de 2013Nova revolta do vintém (link: https://pt.wikipedia.org/wiki/Revolta_do_Vint%C3%A9m_(Rio_de_Janeiro) desencadeadas pelos “black blocs”.

Nas imagens veiculadas em todas as redes oficiais, ou não, não há nenhuma participação, efetiva, de partidos de esquerda, ou de centrais sindicais progressistas, que fossem.

Em contra partida há, manifestações de apoios ao documento intitulado #juntos.

Um material que em nada questiona as políticas neoliberais criminosas defendidas pelo Ministro Guedes, por exemplo. Uma de suas medidas pressupõe colocar jovens do Exército para abrir estradas recebendo, pasme-se, R$ 200 além de congelamento salarial. Sem contar nas práticas da musa do veneno ou do “Passa boiada”.

A esquerda reformista tem todo o direito de atuar nas frentes parlamentaristas, em defesa do estado de direito, claro. Mas cair na armadilha de tentar embarcar no projeto defendido pela direita financista ou liberal confunde a população que já não saberá mais em quem deve confiar.

Pelo andar da carruagem no momento em que as manifestações populares migrarem para uma rebelião popular, com ou sem efeito coringa, como alerta o jornalista Luis Nassif, a esquerda não estará pronta. Não esteve em 2013.

Por não falar a linguagem popular, por não ter um projeto claro de qual país queremos para nosso povo.

Nazistas passeiam livremente pelas ruas… já bandeira de esquerda ou sindicalistas inexistem!
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2 respostas

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