Gaiolas

Ilustração
Jaqueline Santos

Jaqueline Santos

idealizadora do projeto "Mundo das Poderosas", ativista, comerciante e palestrante.

Gaiolas foi originalmente publicado no impresso em 2018

A vida é uma sequência de resultados das nossas escolhas, horas assertivas horas não, porém quando não assertivas não somos obrigadas permanecer nelas pois por mais dolorosa que sejam as mudanças na maioria das vezes são positivas e nos libertam de comportamentos que não nos beneficiam, um exemplo disso é o rompimento de relacionamentos abusivos onde a falta de respeito te arrasta a um lamaçal que não é o seu mundo e sim da pessoa doentia que prática esse abuso através de jogos de dominação encobertos as vezes por tom de voz ameno ou brutal, brincadeiras sobre forma física ou intelectual, desmerecimento do seu esforço ou trabalho, palavras depreciativas sobre seu grupo de amigos ou familiares.

Visto que a violência psicológica e agressão verbal é mais comum que imaginamos podemos nos amparar na Lei Maria da Penha que diz:

Conforme a Lei nº 11.340 (Lei Maria da Penha), violência psicológica é:

II –A VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA, ENTENDIDA COMO QUALQUER CONDUTA QUE LHE CAUSE DANO EMOCIONAL E DIMINUIÇÃO DA AUTOESTIMA OU QUE LHE PREJUDIQUE E PERTURBE O PLENO DESENVOLVIMENTO OU QUE VISE DEGRADAR OU CONTROLAR SUAS AÇÕES, COMPORTAMENTOS, CRENÇAS E DECISÕES, MEDIANTE AMEAÇA, CONSTRANGIMENTO, HUMILHAÇÃO, MANIPULAÇÃO, ISOLAMENTO, VIGILÂNCIA CONSTANTE, PERSEGUIÇÃO CONTUMAZ, INSULTO, CHANTAGEM, RIDICULARIZAÇÃO, EXPLORAÇÃO E LIMITAÇÃO DO DIREITO DE IR E VIR OU QUALQUER OUTRO MEIO QUE LHE CAUSE PREJUÍZO À SAÚDE PSICOLÓGICA E À AUTODETERMINAÇÃO;

Sim, existe amparo legal contra esse tipo de abuso e por mais que não seja fácil temos que romper as gaiolas que criamos as vezes por dependência emocional nos deixamos ser invadidos por pessoas que como déspotas nos tomam como algo que realmente acreditam ser seu por direito, e não subestime essa criatura pois na maioria das vezes fara você acreditar que a culpa por todos os acontecimentos é somente sua, que grita com você senão você não é capaz de ouvi-lo e você se pega deixando de fazer coisas simplesmente para não desagradá-lo e lhe força a crer que assim é melhor, que assim está lutando por seu relacionamento, trabalho ou amizade já que a violência psicológica perambula em vários setores da vida de um indivíduo, desde as relações afetivas primarias até as secundarias.

A violência psicológica é brutalmente difícil de ser identificada por quem a sofre, na maioria das vezes sendo necessário receber alertas de uma terceira pessoa, por isso estejamos atentos as minucias desse tipo de agressão, lembrando que toda forma de intolerância é desrespeitosa e cabe a máxima de seu direito termina quando começa o meu. Estamos em uma era extremamente egoísta em que as pessoas centram naquilo e no padrão de relacionamento em que acreditam e se esquecem que existe uma segunda pessoa com opinião, gostos, vontades e princípios diferentes e impõem isso de maneira tão brusca ou as vezes com discursos pautados e bem elaborados porém desrespeitoso já que está impondo a sua opinião e não perguntando se outro quer saber ou ouvir entrando na questão do discurso dos intolerantes intoleráveis que para defender suas crenças suas ideias ou formato de vida que escolhem subjugam os outros com a imposição de sua causa da mesma forma que a aqueles que ele critica também o faz.

Como quase sempre os opostos se atraem vivemos em uma constante convivência com o diferente e devemos respeitá-lo, ninguém precisa pensar e agir como você, mas é necessário que saibamos respeitar a opinião alheia dentro das relações afetivas, profissionais, sociais e familiares isso é o princípio básico das relações interpessoais. E ao menor desconforto ou preocupação em relação algum comportamento com essas características ligue todos os seus sinais de alerta, as vezes terá a clara impressão de que não existe saída e que está presa a esse emaranhado de problemas, no entanto vale recordar que é mais poderoso aquele que é dono de si mesmo.

Fragmento do texto de Eduardo Alves da Costa

No caminho com Maiakóvski

“[…]

Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

[…]”

Gaiolas

Por Jaqueline Santos– Mundo das Poderosas

75 / 100

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email
Compartilhar no print