O espanto frente ao mundo

O espanto frente ao mundo
Diego Bian

Diego Bian

Diego é professor da rede publica, escritor e colunista deste veículo impresso e digital.

O fato é que notícias ruins dão mais audiência, te causam mais espanto, e o espanto te faz prestar atenção e dar audiência a eles. Pense nisso, quando alguém lhe diz algo bom, por mais que seja fantástico, não tem tanto impacto quanto a notícia de uma bomba no centro da cidade ou um ônibus de crianças que caiu na ponte.

Sabe o que diferencia o homem dos demais seres vivos do nosso planeta? Você pode pensar em muitas coisas como roupas, naves espaciais, ar-condicionado ou internet; e você está absolutamente correto, más faltou chegar a raiz da questão e dizer: o raciocínio! Sim, nós somos, pelo menos até aqui, os únicos seres do planeta que podem raciocinar, criar e inventar usando nossas mentes. Desde o início de nossa espécie, quero dizer desde que evoluímos a centenas de anos para o Homo Sapiens, nos separamos das demais espécies pois descobrimos que podíamos fazer perguntas e dar respostas a tudo a nossa volta! Não é incrível? Mas por que só nós, até onde se sabe, podemos buscar essa sabedoria? Veja, um leão ou um chimpanzé – para usar um parente mais próximo – usam o que chamamos de instintos, o que são eles? Ora, são os mecanismos que permitem a sobrevivência como: fome, necessidade de procriar, sede, medo, saber para onde migrar e etc.,

Más o ser humano se mostrou diferente. Para nós não bastou a sobrevivência, queríamos mais. Então passamos perguntar o porquê das coisas: de onde vem o fogo? Por que chove? Por que o clima muda? Por que morremos? etc. Ao desenvolvermos explicações para essas perguntas criamos os Mitos, tudo graças ao espanto que nós sentimos ao encarar o mundo. Que espanto? E finalmente chegamos ao centro da exposição. Aquele que você sentiu ao descobrir como os bebês nascem, ou quando entrou na sala de aula pela primeira vez, ou ao descobrir que o mundo onde vive está girando em torno de uma estrela chamada Sol, ou ainda que para a geladeira ficar cheia você precisa de dinheiro. Essas descobertas que sempre trazem espanto a todos os seres humanos.

Sem o espanto nossa vida seria limitada a simples cálculos, o que nos tornaria calculistas e frios, quase como um robô (aqueles que vemos nas redes sociais defendendo absurdos)

“Juízo Final” Michelangelo Buonarroti

Se você parar e pensar neste momento o quanto refletimos sobre tudo o que falamos, ouvimos e vemos, nos daremos conta que nem sempre fazemos isso, e alguns parecem nunca fazer. Talvez você simplesmente não quer refletir ou nem percebe que faz. Você já se perguntou, por exemplo, por que os jornais sempre mostram notícias ruins? Não parece que o mundo caminha para o apocalipse? Morte, estupro, terremotos, pandemias, etc.

O fato é que notícias ruins dão mais audiência, te causam mais espanto, e o espanto te faz prestar atenção e dar audiência a eles. Pense nisso, quando alguém lhe diz algo bom, por mais que seja fantástico, não tem tanto impacto quanto a notícia de uma bomba no centro da cidade ou um ônibus de crianças que caiu na ponte. O ser humano, por várias razões que a filosofia aborda, tem tendências a dar atenção a tragédias, assim os jornais pautam sempre notícias ruins já que elas nos causam espanto, e espanto traz audiência. Agora que você sabe disso pode refletir toda vez que uma notícia for dada no jornal, TV, site ou grupo do “zap zap”. Não entenda errado, nunca podemos parar de nos espantar, pois essa ação nos esclarece, limpa a mente e ajuda a analisar melhor o mundo a nossa volta. Portanto “é elementar meu caro Watson”: se espante, pense a respeito, e reflita sobre o que lhe causou este espanto. Pessoas mais esclarecidas sabem criticar e dosar as coisas, tendem a buscar a verdade e usam o bom senso, deixando a vida nem sempre mais fácil, porém, com certeza, mais clara e objetiva.

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